o mesmo martelo de sempre: ubi Petrus, ibi Ecclesia – onde está Pedro, aí está a Igreja.
- 18 de ago. de 2017
- 3 min de leitura
Se quando Cristo disse a Pedro que ergueria uma "Igreja sobre esta rocha" ele estivesse falando apenas de abstrações de fé, de subjetividades ou dum "zeitgeist" cristão após sua ida ao Pai, o que pode me garantir que essa "Igreja" que Cristo menciona é de fato uma Igreja ou se trata apenas de uma junção de pessoas que "professam seu nome", independente da "denominação" cristã? Lembrando que a Bíblia não pode ser base de acordo quando ela é justamente motivo de desacordo (Chesterton). Se não existe a resposta na Bíblia, a resposta está na própria Igreja (apesar de que a resposta ESTÁ na Bíblia, sim. Isso foi um exemplo da loucura da Sola Scriptura). Não é possível que Cristo morre e só 1500 anos depois de sua ida Ele deixa o paráclito. É como um rapaz disse esses dias, ironicamente: "Eu estarei com vocês até o fim dos tempos, todos os dias, menos entre o período de minha partida ao Pai até o século XVI, quando Lutero surgir". Não faz o menor sentido. Se a fé legada por Cristo não for perfeita e confiável não há sentido em segui-la. Se o Espírito Santo é o que "fornece" a sua condição para a interpretação bíblica, por que existe a contradição e o desacordo teológico? Isso é como confundir o Espírito Santo com uma entidade. Ele não "baixa" em você e faz você abrir a Bíblia e sair por aí gritando. O Espírito Santo não é um espírito arbitrário e mentiroso. É o Espírito da verdade e é também o Espírito que move o homem a aceitar a ideia de hierarquia, a curvar-se perante a verdade que ele pode não desejar, mas precisa ACEITAR. Portanto quem aceita a verdade, aceita o Paráclito também. O sentimentalismo e relativismo que surgem com a cisão e rebeldia do século XVI é a base para o liberalismo e para a filosofia moderna. A imanência das ideologias surge dessa demência escatológica. O marxismo é isso, mas a pregação do Edir Macedo também: é sempre uma visão imanente da realidade. Cristo é um Deus escravo, que precisa lhe conceder "vitórias" e "bênçãos". E quando essa promessa demente falha? Você faz o que? Larga a cruz e vai pedir pra mãe Diná te ajudar? É por isso que a macumba se aproxima das seitas neopentecostais. A vitória que Deus lhe deu foi a maior de todas: a morte na cruz. Com a imanência, a verdade deixa de ser Cristo e a razão das coisas deixa de transcende-las. Isso é o que chamamos de materialismo. Por isto o materialismo não se trata apenas da ideia que o mundo tem sobre bens caros e pessoas fúteis gastando dinheiro em iates. O materialismo é infinitamente mais complexo que isso.

A verdade está lá no altar, na hóstia que Cristo lega a todos: seu corpo e sangue para quem quiser e se aceitar pecador. Não existe isso de amar a Cristo sem amar a Igreja. Ela nasce Dele. Tudo que surge após essa cisão é imanência. Só na Igreja Católica há o elo transcendente. Não é algo que os católicos querem dizer por capricho, mas por busca com afinco. Não é possível alguém querer ardentemente saber a verdade e continuar no erro. Até porque a sede pela verdade vem acompanhada da humildade e da vontade de aprender com quem sabe mais. Os caminhos de Deus não estão engessados à Bíblia, tampouco à tradição. Cristo quebra uma ordem e uma tradição e é morto. Uma das maiores provas que a Igreja católica é verdadeiramente a Igreja de Cristo é o fato de existirem tantos fariseus dentro Dela. E mais: Só se pode transgredir uma ordem quando a ordem existe. Senão o que é a transgressão? Se não há ordem, não há transgressão. Se Cristo quebra uma e a transgride, hoje os cristãos quebram outra: a ordem da sociedade moderna, burguesa, que não quer os valores de Cristo, mas quer transformar a todos em bodes expiatórios para crucificar a todos contrários a subjetividade dos desejos humanos. O cristão hoje é o rebelde. Esses valores não são estanques.
























Comentários