Um resumo metafísico
- 4 de out. de 2016
- 9 min de leitura
Se você quer entender o básico do básico da metafísica, leia esse texto. É um pouco longo, mas certamente ajudará quem tem algum interesse. Eu não digo o básico porque tenho pleno domínio do assunto. Mas por ser o que eu sei, apenas. Tudo aqui advém de pequenos trechos que li, da observação da realidade REVELADA por Deus e das explicações que meu namorado me dá. Nada além disso. Sou bem bronca, mas vou dizer o que eu entendi.
Vou direito ao ponto: O que é o inferno? O inferno, diferentemente do imaginário popular ateu e escarnecedor, não é um "lugar" com uns diabinhos vermelhos que mandam e desmandam em você e ficam o tempo todo furando seu corpo com um tridente e rindo da sua cara. Isso é a ideia que permeia o imaginário popular dos ignorantes que acham que a Igreja Católica se resume na ignorância e "ausência de ciência". Para falar em "lugar", é necessário que exista tempo e matéria, espaço. Na eternidade não funciona assim. O que as pessoas fazem é refletir na eternidade tudo o que há na terra de maneira factual. E estão erradas. Por isso a única noção que elas possuem de inferno é essa (diabinhos, fogo ardente, chamas). Obviamente que não estamos lá e não podemos conceber a eternidade em sua totalidade, mas conseguimos, entretanto, apreender parcialmente do que se trata através dos símbolos. Entendam que jamais podemos conceber isso, pois estamos presos à dinâmica material. Então o que é o inferno? O inferno é o reino dos desejos, do arbítrio e da liberdade irrestrita, onde todas as almas que odeiam ser submissas à verdade estão. Deus não envia ninguém ao inferno, são as próprias pessoas que escolhem ir para lá através de suas vidas desprezando a verdade, a ordem etc. Como tudo é criação divina, a única possibilidade de viver sem Deus é apenas NEGANDO a sua unidade. Portanto, o inferno é um reino de pura negação, mas metafisicamente não é o lugar da ausência total de ser, pois é impossível que exista algo "além" de Deus; um reino de ausência de ser seria gnóstico, contrário à Deus e sua unidade, como se existisse um deus do mal e um deus do bem (gnosticismo). Não é isso que acontece. Deus é uno e está expresso na santíssima trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Apenas 1 único Deus, mas consubstancial em três pessoas. Por isso Cristo se diz Filho do Pai, mas também é Deus. Toda forma sincrética de seitas que afirmem que Jesus não é Deus estão absolutamente erradas e nada de verdadeiro surge daí, por mais que mantenham aspectos caritativos ou baseados no evangelho (totalmente deturpado e alterado) etc. Então o inferno ainda está dentro de Deus? Sim. O inferno é um ato de misericórdia divina que não aniquila almas. Se as almas DESEJAM nega-lo, Deus as respeita. É por isso que o inferno existe. O inferno é a máxima possibilidade de negação à Deus, mas não é uma ausência completa de Deus, pois nada existe fora de Deus.
A Terra: A terra é um entremeio (como bem entendeu Platão). Aqui nós vivemos num mundo material das formas, mas a essência da unidade das coisas têm que necessariamente transcender as próprias coisas materiais. Seria impossível falar em "cavalos" se não tivéssemos uma noção do que é um cavalo em sua forma ideal. Imagine um cavalo branco, um preto, um marrom e um mesclado. Todos são diferentes, mas fazem parte da unidade 'cavalo'. Todos são "um" cavalo (qualquer). Mas onde estaria a forma unitária "O CAVALO"? Por acaso vemos "O CAVALO" andando na rua? Não. O que vemos são uns cavalos andando na rua. Esse ser ideal (essência do cavalo) parte do Uno, ou seja, de Deus. Portanto, Deus é o criador das ESSÊNCIAS. Ele cria O CAVALO, que na Terra se traduz na diversidade que temos dentro do mundo material e que dá sentido à experiência terrena. Se não houvesse um Deus uno, um cavalo teria a aparência de jacaré, outro cavalo teria a aparência de cavalo e o outro teria a aparência duma maçã, ou seja, não haveria unidade em torno das formas. Mas mesmo essa "possibilidade caótica" seria impossível, pois sem Deus não existiria essência e, portanto, não existiria sequer a noção de maçã, jacaré e cavalo (já que para pensarmos nelas também precisamos ter noção de suas essências). Em outras palavras: até para imaginar a ausência de Deus e ausência de ordem, é necessário que estejamos dentro de Deus, já que de outra maneira sequer existiríamos para imaginar isso. Por fim: Deus é o criador das essências que dão origem às formas materiais e que nos permitem andar, comer, beber, pensar e reconhecer um cavalo e distingui-lo dum Coelho ou duma maçã. Enfim, a Terra não é um caos absoluto e por mais que o final dos tempos se aproxime e as pessoas vivam mais e mais perdidas em si mesmas, a Terra manterá certa ordem porque estamos "dentro" de Deus, da Unidade absoluta que dá origem ao cosmos.

Na terra, nós estamos entre o ser e o não ser. Isso significa que estamos num entremeio, num mundo de POSSIBILIDADES (o mundo das escolhas). A terra é o lugar onde podemos escolher entre o bem ou o mal a partir de MODELOS. Quando Deus criou os céus (antes da terra), Ele criou Lúcifer, um anjo lindo e majestoso que tinha muita luz e inteligência. Lúcifer invejou a Deus e "descobriu" o pecado, ou seja, INVENTOU uma maneira de perverter a ordem dos céus de pura submissão à Deus e ao Amor (Deus é o próprio amor) e decidiu rivalizar com o próprio Deus. Não tentem entender isso como algo factual, pois como eu já disse: é impossível que haja fatos nos céus tal como conhecemos séries factuais na terra (matéria, tempo e espaço). Como Lúcifer "inventou" o pecado (por isso a Bíblia o caracteriza como "pai da mentira"), Ele foi mandado para os "abismos", num "lugar" onde ele reinaria em absoluto, na sua arbitragem total, na quase que total ausência de Deus (não pode ser ausência total de Deus, senão cairíamos no gnosticismo, lembra?).
Por que Deus envia Lúcifer (agora Satanás) para o "abismo"? Porque nos céus não pode haver pecado. Logo, não haveria possibilidade de Lúcifer continuar lá. O "Abismo" mencionado pela literatura bíblica é o mesmo que "reino das trevas", onde todos os que imitam e seguem a Lúcifer estão. Ou seja, não é um "lugar", mas um estado da alma num reino de arbítrio puro, onde as almas odeiam a verdade e estão perdidas nelas mesmas, onde todas as almas só fazem aquilo que elas têm vontade o tempo todo. É um lugar de puro caos, pois é o lugar onde só existe o pecado (e o mimetismo) e é quase que a total ausência de ser (Deus). No inferno as almas vivem em "liberdade absoluta", fazem o que querem quando querem, mas de maneira desordenada, como escravas dos próprios vícios. Vivem para o hedonismo puro e mimetizando e expiando eternamente. A terra vislumbra tanto os céus quanto o inferno (mundo material da possibilidade). É por isso que toda bandeira contrária ao cristianismo prega a "liberdade" sobre as "amarras" das "regras" cristãs. Pois o cristianismo exige submissão à verdade. Toda pessoa que quer viver fazendo o que der na telha da sua vontade o tempo todo está dizendo que ama o arbítrio, o desejo e a si própria e que despreza a verdade. Toda pessoa que escolhe a liberdade irrestrita só pode fazê-lo em detrimento da verdade, sacrificando a verdade. A noção de liberdade absoluta pelo cumprimento do próprio desejo e da própria vontade é uma uma ilusão, pois a pessoa vive dentro de si mesma, escrava dos próprios pecados. Nenhum escravo é livre. A condição de escravidão de si mesma e dos interesses do mundo só acaba quando a pessoa se abre para Deus (ou seja, quando a pessoa torna-se escrava da verdade). "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". João 8:32. Ou seja, só é possível deixar de ser escravo do mal a partir do momento que você vira escravo da verdade. Para nós parece antagônico (já que estamos no mundo material e dentro da dinâmica do desejo), mas só é possível ser verdadeiramente livre se você for escravo da verdade.
O que é o pecado? O pecado, pelo catecismo, é "toda ação, palavra ou pensamentos contrários à vontade de Deus". Destrinchando isso pela metafísica, temos que o pecado é o desejo humano ignorando a vontade de Deus. Mas como saber o que é "vontade de Deus"? A vontade de Deus é o sumo bem (e portanto é também a justiça, o amor, a ordem, humildade, a verdade etc). O homem sempre comete o pecado quando coloca sua vontade, seus desejos e ímpetos acima do sumo bem. Por isso a santidade se caracteriza na morte dos desejos e ímpetos. A contrição perfeita à Deus é a morte do desejo da pessoa para casar-se ou ter uma contrição perfeita com a vontade de Deus. Assim, toda pessoa que faz a vontade de Deus porque QUER ou DESEJA fazer, é uma pessoa que não está pecando. Estão ligando os pontos?
Então o que é o céu? (Lembrando que nada do que eu estou falando aqui é novo. Tudo já está nos dogmas católicos e na metafísica). O céu, em oposição ao inferno, é o reino da submissão à Deus. Sendo o reino da submissão à Deus, é o reino da VERDADEIRA liberdade, paz, amor, vida pura. Lembrem-se que a condição do homem no mundo é sempre de submissão: ou submisso à verdade (e portanto a Deus) ou submisso às suas próprias vontades e desejos e portanto à Satanás (criando a ilusão de liberdade). Lembrando que Satanás não é um "deus do mal". Satanás é um macaco de Deus: ele quer ser Deus e é exatamente por isso se torna o máximo da negação da verdade, mas não sua ausência total. Toda pessoa que nega a verdade veementemente está apenas mimetizando a satanás no desejo pela ausência de ser (verdade) para torna-se escravo de si mesmo, de suas vontades e ímpetos carnais (falsa liberdade).
É por isso que tudo no mundo que é vendido como "liberdade absoluta" é um engodo. É por isso que a ideia de "faça o que lhe faz feliz" é uma ideia contrária à submissão da verdade, obviamente de caráter demoníaco (pois se o que lhe faz feliz é estuprar, então basta achar argumentos vitimistas para positivar esse absurdo).
Na terra, o homem só pode seguir a modelos. Isso significa que o homem só pode escolher o bem e o mal a partir de modelos que lhe ofereçam as noções de bem e mal metafísicos. Vou explicar MUITO resumidamente (e se você quiser entender melhor, terá que ler um texto que eu vou indicar é que é a chave para entender não só a revelação cristã como o que ocasiona o fim dos tempos e a entrada do pecado no mundo): quando o pecado entra no mundo, nos tornamos corruptíveis (não tentem entender isso como um fato, mas usem a imaginação simbólica. É por isso que a literatura é importante. Ela desperta essa imaginação). Como nos tornamos corruptíveis, nos tornamos mortais e desejosos. Isso significa que quando o pecado entra no mundo, ele produz o desejo. O desejo humano é o grande causador de males no mundo, pois o desejo humano quando não está em Deus, está na tentativa de ser o próprio Deus (como satã). Todo desejo é uma incompletude, uma ausência (deseja-se porque não se possui). É através da entrada do pecado e desejo no mundo que o homem passa a mimetizar o outro. Por que nos céus não existe incompletude, mas sim plenitude? Porque NÃO existe desejo no céus. Tudo na Terra que é mal é causado pela possibilidade de negar a Deus através do desejo sobre a verdade. Para entender esses mecanismos e seus desdobramentos dentro da perspectiva histórica e da escatologia cristã, leiam esse texto aqui: http://www.revistaamalgama.com.br/…/rene-girard-apocalipti…/
Na Terra, os seres humanos não criam nada, nem sequer um átomo. Tudo o que existe de produção e avanço tecnológico é resultado das DESCOBERTAS que o homem faz, mas que já estavam inscritas na possibilidade da matéria. Exemplo: um avião poderia ser construído em 1200 d. C.? Poderia. Mas só se o homem já tivesse DESCOBERTO as possibilidades inscritas no cosmo para que esse avião pudesse ser projetado. E todos sabemos que essa descoberta ainda estava longe de acontecer, pois a ciência instrumental ainda engatinhava e o homem não possuía todo o saber que lhe era necessário para a construção de aviões, de iPhones etc. No entanto, o homem de 1200 já era muito mais "avançado" na ciência que os seus antepassados. O problema da ciência é que, apesar de toda a ciência vir de Deus, o avanço científico desperta no homem a ideia de ele mesmo "criou" aquilo, produzindo a ideia de que ele pode "criar" coisas e, gerando assim, a prepotência nos homens que acham que a ciência consegue explicar tudo. A tentativa de explicar Deus na ciência é a tentativa de inverter criador e obra. Foi o próprio Deus que criou tudo, incluindo a possibilidade para entender e desvendar o cosmos através da ciência.
Se vocês fizerem a leitura do texto que indiquei, irão entender como funciona o mecanismo expiatório e os modelos, que são as chaves para entender muitas coisas. Além disso, entenderão exatamente o que é a religião e o que o cristianismo desvela ao desnudar o sagrado.
























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