"Alise o seu cabelo, neguinha". O racismo existe, sim.
- 4 de out. de 2016
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"Alise o seu cabelo, negrinha."

A cultura americana é ressentida. É uma cultura de segregação com slogans de liberdade. Até pouco tempo - todos sabemos - os EUA ainda segregavam os negros. Morei nos EUA em 2001 e eu mesma pude notar a aura de ressentimento que paira nos ares da 'terra da liberdade'. Tanto um ressentimento do seu passado recente de segregação que gera bodes expiatórios, quanto à resposta a isso que gera mais e mais expiações e ódio entre negros e brancos. A máxima de que quanto mais se fala sobre isso, pior - é verdadeira.
Existem muitos negros americanos que são absolutamente rancorosos com o seu passado. O problema é que toda a angústia e iniquidade, dissensão, ainda é alimentada nas terras norte americanas. Nos EUA ainda existe racismo contra negros, principalmente em cidades pequenas com muitos conservadores cristãos, em sua maioria protestantes que vem de uma cultura puritana, herética, de liberdade absoluta (fundação dos EUA) com a cultura pagã do deus-barganha que ainda hoje é parte da heresia protestante. Não, isso não é uma piada de mal gosto e eu não estou chamando todos os protestantes de racistas. Saibam LER, ter imaginação e senso de nuances para entender que a conduta das pessoas vem do seu apego à verdade nas situações diversas da vida, e não necessariamente de sua cultura, mesmo que enraizada. Quando eu digo que existem racistas brancos nos EUA, eu não me refiro a todos os brancos e tampouco excluo o fato de que com o ressentimento gerado por um passado de segregação tão recente, há também racistas negros. Racista é todo aquele que quer separar os homens por cores ou beneficia-los de alguma maneira pela sua cor. Se não faz sentido falar em "cultura branca", não pode fazer sentido falar em "cultura negra", já que o funda a cultura não são as raças, mas a violência e o sagrado (Girard). A cultura é relativa a comportamentos, e não a cores. Eu falo o que vi e que agora comprovo pelo o que entendo, pelo meu conhecimento e contemplação 15 anos depois de ter vivido naquele país (residi em Milford CT em 2001). O ressentimento é tanto, que uma vez segurei uma porta dum restaurante para uma família negra entrar (eu tinha 11 anos) e todos eles entraram e olharam pra mim como se fosse obrigação de uma branca segurar a porta para que todos entrassem. Não agradeceram e me olharam de cima pra baixo. Eu não liguei, eu era criança, mas achei esquisito. Hoje talvez eu diria algo pela completa falta de educação e pela maldade do ato de subjugar os outros, sejam eles brancos ou negros.
A fundação dos EUA é um tiro no pé. A combinação que origina a cultura americana é explosiva: puritanismo protestante, ideias de liberdade completa, filosofia imanentista e liberdade econômica. A ideia do "povo abençoado", da "pátria próspera". Tudo isso num balaio que, se por um lado funda o ápice do progresso econômico mundial, por outro é um sistema que funciona como alimento para a reciprocidade mimética e que geraria essa quantidade absurda de bizarrices que hoje em dia partem dos Estados Unidos. Os EUA é a terra do vizinho polido, mas também é a terra do aborto liberado até os 9 meses de gestação, onde nascimento e aborto são considerados distintos caso a mãe diga se o que ela pariu foi um bebê ou um pedaço de lixo. O ser da criança se transforma pela palavra da mãe. Todo o lugar onde o homem acha que proferir palavras cria a verdade, é um lugar onde o homem se toma por verbo (Deus é o verbo). É o país relativista por excelência. Todo país de base protestante gera puritanismo cristão (heresia) quanto economia geralmente forte.
A questão é que me lembrei desse episódio lendo essa matéria aqui http://www.brasilpost.com.br/2016/08/30/blue-ivy-racismo-redes-sociais_n_11781250.html - que exemplifica isso. Fizeram uma petição para que a Beyoncé (cantora famosa norte americana) alisasse o cabelo crespo de sua filha. Isso não é qualquer coisa. Isso não é só uma petição. Isso é a denúncia do quanto a alma humana pode se tornar mesquinha se houver entrega aos mecanismos expiatórios, com a ausência de Deus que dá unidade aos povos através de sua expiação. Essa petição vagabunda e maldosa é a exposição do quanto é podre a a alma humana afastada de Deus e do quanto a escolha pelo mal é possível e está em todos. E eu não duvido que muita gente que assinou esse lixo de petição racista seja pró Trump. A questão que eu quero expor aqui não é se a Hillary é pior ou melhor que o Trump ou se os eleitores deles são piores ou melhores. Existe algo a se aprender daí que só pode ser entendido pela dimensão do pecado e do mimetismo, aliados à história. Isso dá razão pra esquerda? Não. Mas fornece mais lenha para a fogueira do mal que encaminha a humanidade para o seu fim. A perda da consciência escatológica gera um apego aos espectros políticos. A origem e todo o mistério da vida está revelada na pessoa do nosso senhor, Cristo. Na vida, morte e ressurreição Dele.
Agora veja que estamos vivendo numa época de extremos que não sabem mais avaliar e analisar as nuances das situações. Eu, Dayane, por ser branca, católica e heterossexual, já sou o tipo de perfil que um negro ou gay americano odiaria, mesmo não votando no Trump. O meu voto nele, nesse caso, já seria irrelevante. As categorias já estão dadas. As pessoas não sabem mais o que é bondade, não sabem mais o que é amor. Elas optam pelo mal sem maiores pesos. A culpa que sentem é engolida pelo ego gigantesco e pela sede de inferno, de poder puro, de vontade cumprida. Isso não é uma questão de "as pessoas podem fazer petições para opinarem sobre a estética dos outros". A questão é que isso é a pura maldade, o próprio ímpeto de ofender, machucar, odiar. O próprio ato de dizer deliberadamente que alguém é feio nas redes sociais é um ato maldoso, principalmente se esse alguém é criança que nunca lhe fez nada. Nós às vezes fazemos isso, mas geralmente com desafetos e não para sermos maldosos deliberadamente ou para ofendermos crianças. Esse é um ato mal em sua mais nítida essência. "Ah, e se ela for feia mesmo?" Aí você guarde isso para você e lembre-se não só do que Cristo diz sobre as crianças como sobre a ilusão que é a beleza. O que importa é a alma desta criança. Não é a filha da Beyoncé que é feia ou precisa alisar o cabelo, é teu pecado, é sua maldade em xinga-la gratuitamente que é horroroso.
O estilo de vida e a cosmovisão dessas celebridades é podre. Eles vivem para o status, poder, dinheiro. Vivem no reino da vontade cumprida, que é o que Cristo denunciou mostrando-nos o que é o pecado (vontade humana sobre vontade divina). Exposição da criança é um erro. Colocar crianças sob os holofotes é abjeto. Mas NADA, absolutamente NADA justifica um monte de zumbis xingarem uma criança, filha de Deus.
O monopólio da bondade não é só da esquerda, tampouco é o da maldade. Quem vê a esquerda (ou a direita) como demônio e a si mesmo como anjo imaculado está dando motivos para satã gargalhar, pois é exatamente isso que alimenta o mecanismo que entra no mundo pelo pecado e queda adâmica. O demônio se alimenta dos duplos. Cristo morre por isso - para expiar o pecado. C. S Lewis percebe essa dinâmica. Girard a destrincha e explica expondo que o é a origem de tudo (nada novo, mas escrutinado pela teoria mimética).
Se você quer saber e entender sobre isso, leia esse texto e, se puderem, os outros que o complementam como republicanos X democratas do mesmo autor, onde a abordagem é mais histórica e menos metafísica. Com a abordagem histórica da fundação dos EUA fica mais fácil reconhecer todos a origem desse puritanismo e dessa demência e histeria que tomam conta dos EUA hoje em dia.
Leiam: http://www.revistaamalgama.com.br/01/2016/a-fundacao-dos-estados-unidos/
























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